Curva de juros DI: o que o mercado está precificando (e por que isso mexe no seu índice e no seu dólar)
Quem opera índice e dólar sem olhar juros está olhando o efeito e ignorando a causa. A curva de DI conta, em tempo real, o que o mercado espera da Selic, da inflação e do risco do país. Dá para aprender a ler em uma tarde.

Por que o trader de índice deveria olhar juros
Você já viu o WIN cair forte sem nenhuma notícia de empresa. Ou o dólar disparar numa manhã sem dado nenhum na agenda. Muitas vezes a explicação estava na tela de juros, alguns minutos antes.
Juro é o preço do dinheiro no tempo. Quando ele sobe, renda fixa fica mais atraente, empresa endividada vale menos e o fluxo sai da bolsa. Quando a parte longa da curva abre por medo fiscal, o dólar costuma ir junto. Não é regra mecânica, mas é a conversa de fundo do mercado. E quem só olha o candle entra na conversa no meio.
O que é a curva de DI, sem complicação
O DI futuro (o contrato DI1, negociado na B3) é uma aposta sobre a taxa de juro média entre hoje e uma data no futuro. Existe um contrato para cada vencimento: janeiro do ano que vem, julho de 2027, janeiro de 2030 e assim por diante.
Cada contrato tem a sua taxa. Coloque todas elas num gráfico, do vencimento mais curto ao mais longo, e você tem a curva de juros. Cada ponto da curva é um vértice. A curva mostra, num desenho só, o que o mercado espera para os juros ao longo dos próximos anos.
Duas coisas para guardar:
- A ponta curta (os próximos meses) responde principalmente ao Banco Central. É onde aparece a expectativa para as próximas reuniões do Copom.
- A ponta longa (cinco, dez anos) responde a inflação de longo prazo, risco fiscal e humor do investidor estrangeiro. É onde aparece o medo.
Os três jeitos que a curva se mexe
Quase todo movimento da curva é uma mistura de três coisas. Saber separar as três é o que transforma "os juros subiram" em informação útil.
Nível
A curva inteira sobe ou desce junto. Todos os vencimentos andam na mesma direção. Costuma acontecer com notícia que muda o cenário para todo mundo, como um dado de inflação muito diferente do esperado.
Inclinação
A diferença entre a ponta longa e a curta muda. Quando a longa sobe mais que a curta, a curva empina. Quando a curta sobe mais que a longa, a curva achata. E quando a curta fica acima da longa, a curva está invertida, o que normalmente significa que o mercado espera juro caindo lá na frente.
Curvatura
O meio da curva anda diferente das pontas. A barriga estufa ou afunda. É um sinal mais sutil, que costuma aparecer quando o mercado está ajustando a expectativa de política monetária para os próximos dois ou três anos.
Os nomes que o mercado usa
Juntando direção e inclinação, o mercado dá nome aos movimentos. Vale conhecer, porque eles contam histórias diferentes:
| Movimento | O que costuma significar |
|---|---|
| Bull steepening | Os curtos caem e os longos ficam parados. O mercado está precificando corte de juros. |
| Bear steepening | Os longos sobem e os curtos ficam parados. O prêmio de risco está aumentando, muitas vezes por medo fiscal. |
| Bull flattening | Os longos caem mais que os curtos. O mercado antecipa queda de juros lá na frente. |
| Bear flattening | Os curtos sobem mais que os longos. Aperto monetário no curto prazo. |
| Alta ou queda paralela | A curva inteira anda junto, para cima ou para baixo. |
Na HTS você não precisa ficar calculando isso de cabeça. A Estrutura DI identifica esses movimentos sozinha, durante o pregão, e mostra um selo quando eles aparecem.
A curva de juros na HTS
A janela Curva de Juros mostra todos os contratos DI1 ativos da B3, atualizando em tempo real. Do lado do gráfico fica a tabela, separada em curto prazo, médio-curto, médio e longo prazo, com a taxa, a variação do dia, o volume e um minigráfico de cada vencimento. Quando um contrato negocia, uma setinha pisca no ponto da curva mostrando se o negócio foi para cima ou para baixo.

O botão Comparar é onde a ferramenta fica realmente útil. Ele desenha por cima a curva de 5, 15, 60 ou 240 minutos atrás, ou a de ontem, de uma semana e de dez dias atrás. Passando o mouse, você vê quanto cada vencimento andou em pontos-base contra cada uma delas. É o jeito mais rápido de responder à pergunta que importa: a curva mudou de forma hoje ou só subiu inteira?
Estrutura DI: o termômetro da curva
A Estrutura DI olha a mesma curva de outro jeito. Em vez da taxa, ela mostra quanto cada vencimento andou desde o ajuste do dia anterior, e quão fora do normal está esse movimento.
No topo ficam os três números que você já conhece: nível, inclinação e curvatura do dia. Embaixo, uma linha por vencimento, com as cores mais fortes onde o movimento está mais fora do padrão. Esse "fora do padrão" é medido de duas formas: comparando cada vencimento com os outros naquele instante e comparando com o próprio comportamento nos últimos minutos. Uma cor forte num vencimento isolado costuma ser fluxo grande ou reprecificação localizada. Uma faixa inteira colorida é mudança de cenário.

Quando o desenho da curva bate com um dos movimentos clássicos, aparece o selo: Bull Steep, Bear Flat, Parallel Up, e também alertas de tensão localizada, como estresse na ponta curta ou reprecificação no miolo. Cada selo explica o que significa ao passar o mouse.
Tem ainda uma vista 3D, em que cada vencimento vira um anel. A altura mostra quanto ele andou e a cor mostra quão incomum foi o movimento. É a imagem que abre este texto, e funciona bem de canto de tela, para bater o olho durante o pregão.
Selic implícita: o que a curva diz sobre cada reunião do Copom
Se a ponta curta da curva é a expectativa para o Banco Central, dá para destrinchar essa expectativa reunião por reunião. É o que a Selic Implícita faz: para cada reunião do Copom com data oficial, ela mostra a Selic que a curva de DI está precificando para depois da decisão, e traduz em palavras. Corte de 25 pontos, manutenção, alta de 50.

Ao lado dela, o COPOM Pricing mostra outra leitura do mesmo assunto: as probabilidades de cada decisão tiradas das opções de Copom negociadas na B3. Quando as duas leituras discordam, vale prestar atenção. É sinal de que um dos mercados está mais nervoso que o outro.

A inclinação como um ativo no seu gráfico
Algumas leituras da curva viram ativos na HTS, com abertura, máxima, mínima e variação do dia. Dá para colocar no gráfico ao lado do WIN e do WDO, ou na sua lista de ativos:
- HTDIX: um número só para o nível da curva brasileira inteira. Sobe quando a curva inteira sobe.
- Inclinação do DI: a diferença entre a parte longa e a curta da curva. Negativa, a curva está invertida.
- Diferenças entre prazos: dez anos contra dois, cinco contra dois, dez contra cinco.
- Curvatura: o miolo da curva contra as duas pontas.
- Juro de prazo fixo: a taxa de 1, 2, 3, 5 e 10 anos tirada da curva ao vivo, a mesma que aparece no painel de Juros Globais ao lado dos juros dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.
Ver a inclinação do DI e o índice no mesmo gráfico, na mesma escala de tempo, ensina mais sobre a relação entre juros e bolsa do que qualquer texto.
Como encaixar na rotina
Antes da abertura
Veja como a curva fechou ontem e o que a Selic Implícita está precificando para a próxima reunião. Se tiver dado de inflação ou fala de diretor do Banco Central na agenda, você já sabe qual parte da curva vai reagir.
Durante o pregão
Deixe a Estrutura DI num canto. Um selo novo ou uma faixa de vencimentos mudando de cor é o aviso de que o cenário está mudando, muitas vezes antes de aparecer no índice. Na dúvida, compare a curva de agora com a de uma hora atrás.
Depois do fechamento
Compare a curva do dia com a de ontem e a da semana passada. Repare quais vencimentos mais andaram. Com algumas semanas você começa a reconhecer os padrões do seu próprio ativo em relação aos juros.
A HTS é uma plataforma de análise e operação. As leituras deste texto ajudam a entender o contexto do mercado e não são recomendação de investimento. Operar no mercado envolve risco.
Perguntas frequentes
O que é a curva de DI futuro?
É o conjunto das taxas dos contratos de DI futuro (DI1) negociados na B3, do vencimento mais curto ao mais longo. Mostra o que o mercado espera para os juros brasileiros ao longo dos próximos anos.
O que é steepening e flattening?
Steepening é quando a curva empina: a diferença entre os juros longos e os curtos aumenta. Flattening é quando ela achata: essa diferença diminui. Bull e bear indicam se o movimento veio com juros caindo ou subindo.
A curva de juros da HTS é em tempo real?
Sim. Os contratos DI1 da B3 chegam ao vivo e a curva, a Estrutura DI e os ativos de inclinação são recalculados durante o pregão.
Qual a diferença entre a Selic Implícita e o COPOM Pricing?
A Selic Implícita tira da curva de DI a Selic que o mercado espera depois de cada reunião do Copom. O COPOM Pricing mostra as probabilidades de cada decisão a partir das opções de Copom negociadas na B3. São duas leituras do mesmo assunto, por mercados diferentes.
Dá para colocar a inclinação da curva no gráfico?
Sim. O nível da curva, a inclinação, as diferenças entre prazos, a curvatura e os juros de prazo fixo funcionam como ativos: dá para abrir no gráfico e colocar na lista de ativos.