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Curva de juros DI: o que o mercado está precificando (e por que isso mexe no seu índice e no seu dólar)

Quem opera índice e dólar sem olhar juros está olhando o efeito e ignorando a causa. A curva de DI conta, em tempo real, o que o mercado espera da Selic, da inflação e do risco do país. Dá para aprender a ler em uma tarde.

Atualizado em 01/10/2026 · 10 min de leitura

Estrutura DI da HTS em vista 3D no monitor, com os vencimentos da curva de juros em anéis

Por que o trader de índice deveria olhar juros

Você já viu o WIN cair forte sem nenhuma notícia de empresa. Ou o dólar disparar numa manhã sem dado nenhum na agenda. Muitas vezes a explicação estava na tela de juros, alguns minutos antes.

Juro é o preço do dinheiro no tempo. Quando ele sobe, renda fixa fica mais atraente, empresa endividada vale menos e o fluxo sai da bolsa. Quando a parte longa da curva abre por medo fiscal, o dólar costuma ir junto. Não é regra mecânica, mas é a conversa de fundo do mercado. E quem só olha o candle entra na conversa no meio.

O que é a curva de DI, sem complicação

O DI futuro (o contrato DI1, negociado na B3) é uma aposta sobre a taxa de juro média entre hoje e uma data no futuro. Existe um contrato para cada vencimento: janeiro do ano que vem, julho de 2027, janeiro de 2030 e assim por diante.

Cada contrato tem a sua taxa. Coloque todas elas num gráfico, do vencimento mais curto ao mais longo, e você tem a curva de juros. Cada ponto da curva é um vértice. A curva mostra, num desenho só, o que o mercado espera para os juros ao longo dos próximos anos.

Duas coisas para guardar:

  • A ponta curta (os próximos meses) responde principalmente ao Banco Central. É onde aparece a expectativa para as próximas reuniões do Copom.
  • A ponta longa (cinco, dez anos) responde a inflação de longo prazo, risco fiscal e humor do investidor estrangeiro. É onde aparece o medo.

Os três jeitos que a curva se mexe

Quase todo movimento da curva é uma mistura de três coisas. Saber separar as três é o que transforma "os juros subiram" em informação útil.

Nível

A curva inteira sobe ou desce junto. Todos os vencimentos andam na mesma direção. Costuma acontecer com notícia que muda o cenário para todo mundo, como um dado de inflação muito diferente do esperado.

Inclinação

A diferença entre a ponta longa e a curta muda. Quando a longa sobe mais que a curta, a curva empina. Quando a curta sobe mais que a longa, a curva achata. E quando a curta fica acima da longa, a curva está invertida, o que normalmente significa que o mercado espera juro caindo lá na frente.

Curvatura

O meio da curva anda diferente das pontas. A barriga estufa ou afunda. É um sinal mais sutil, que costuma aparecer quando o mercado está ajustando a expectativa de política monetária para os próximos dois ou três anos.

Os nomes que o mercado usa

Juntando direção e inclinação, o mercado dá nome aos movimentos. Vale conhecer, porque eles contam histórias diferentes:

MovimentoO que costuma significar
Bull steepeningOs curtos caem e os longos ficam parados. O mercado está precificando corte de juros.
Bear steepeningOs longos sobem e os curtos ficam parados. O prêmio de risco está aumentando, muitas vezes por medo fiscal.
Bull flatteningOs longos caem mais que os curtos. O mercado antecipa queda de juros lá na frente.
Bear flatteningOs curtos sobem mais que os longos. Aperto monetário no curto prazo.
Alta ou queda paralelaA curva inteira anda junto, para cima ou para baixo.

Na HTS você não precisa ficar calculando isso de cabeça. A Estrutura DI identifica esses movimentos sozinha, durante o pregão, e mostra um selo quando eles aparecem.

A curva de juros na HTS

A janela Curva de Juros mostra todos os contratos DI1 ativos da B3, atualizando em tempo real. Do lado do gráfico fica a tabela, separada em curto prazo, médio-curto, médio e longo prazo, com a taxa, a variação do dia, o volume e um minigráfico de cada vencimento. Quando um contrato negocia, uma setinha pisca no ponto da curva mostrando se o negócio foi para cima ou para baixo.

Curva de Juros da HTS com todos os vencimentos de DI1 e a tabela separada por prazo
A Curva de Juros: o desenho da curva e cada vencimento ao vivo.

O botão Comparar é onde a ferramenta fica realmente útil. Ele desenha por cima a curva de 5, 15, 60 ou 240 minutos atrás, ou a de ontem, de uma semana e de dez dias atrás. Passando o mouse, você vê quanto cada vencimento andou em pontos-base contra cada uma delas. É o jeito mais rápido de responder à pergunta que importa: a curva mudou de forma hoje ou só subiu inteira?

Estrutura DI: o termômetro da curva

A Estrutura DI olha a mesma curva de outro jeito. Em vez da taxa, ela mostra quanto cada vencimento andou desde o ajuste do dia anterior, e quão fora do normal está esse movimento.

No topo ficam os três números que você já conhece: nível, inclinação e curvatura do dia. Embaixo, uma linha por vencimento, com as cores mais fortes onde o movimento está mais fora do padrão. Esse "fora do padrão" é medido de duas formas: comparando cada vencimento com os outros naquele instante e comparando com o próprio comportamento nos últimos minutos. Uma cor forte num vencimento isolado costuma ser fluxo grande ou reprecificação localizada. Uma faixa inteira colorida é mudança de cenário.

Estrutura DI da HTS com o nível, a inclinação e a curvatura do dia e uma linha por vencimento
A Estrutura DI: quanto cada vencimento andou desde o ajuste e quão incomum é esse movimento.

Quando o desenho da curva bate com um dos movimentos clássicos, aparece o selo: Bull Steep, Bear Flat, Parallel Up, e também alertas de tensão localizada, como estresse na ponta curta ou reprecificação no miolo. Cada selo explica o que significa ao passar o mouse.

Tem ainda uma vista 3D, em que cada vencimento vira um anel. A altura mostra quanto ele andou e a cor mostra quão incomum foi o movimento. É a imagem que abre este texto, e funciona bem de canto de tela, para bater o olho durante o pregão.

Selic implícita: o que a curva diz sobre cada reunião do Copom

Se a ponta curta da curva é a expectativa para o Banco Central, dá para destrinchar essa expectativa reunião por reunião. É o que a Selic Implícita faz: para cada reunião do Copom com data oficial, ela mostra a Selic que a curva de DI está precificando para depois da decisão, e traduz em palavras. Corte de 25 pontos, manutenção, alta de 50.

Selic Implícita da HTS com a Selic precificada para cada reunião do Copom
A Selic Implícita: a decisão que a curva de DI está precificando em cada reunião.

Ao lado dela, o COPOM Pricing mostra outra leitura do mesmo assunto: as probabilidades de cada decisão tiradas das opções de Copom negociadas na B3. Quando as duas leituras discordam, vale prestar atenção. É sinal de que um dos mercados está mais nervoso que o outro.

COPOM Pricing da HTS com as probabilidades de cada decisão do Copom
O COPOM Pricing: a probabilidade de cada decisão, pelas opções de Copom.

A inclinação como um ativo no seu gráfico

Algumas leituras da curva viram ativos na HTS, com abertura, máxima, mínima e variação do dia. Dá para colocar no gráfico ao lado do WIN e do WDO, ou na sua lista de ativos:

  • HTDIX: um número só para o nível da curva brasileira inteira. Sobe quando a curva inteira sobe.
  • Inclinação do DI: a diferença entre a parte longa e a curta da curva. Negativa, a curva está invertida.
  • Diferenças entre prazos: dez anos contra dois, cinco contra dois, dez contra cinco.
  • Curvatura: o miolo da curva contra as duas pontas.
  • Juro de prazo fixo: a taxa de 1, 2, 3, 5 e 10 anos tirada da curva ao vivo, a mesma que aparece no painel de Juros Globais ao lado dos juros dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.

Ver a inclinação do DI e o índice no mesmo gráfico, na mesma escala de tempo, ensina mais sobre a relação entre juros e bolsa do que qualquer texto.

Como encaixar na rotina

Antes da abertura

Veja como a curva fechou ontem e o que a Selic Implícita está precificando para a próxima reunião. Se tiver dado de inflação ou fala de diretor do Banco Central na agenda, você já sabe qual parte da curva vai reagir.

Durante o pregão

Deixe a Estrutura DI num canto. Um selo novo ou uma faixa de vencimentos mudando de cor é o aviso de que o cenário está mudando, muitas vezes antes de aparecer no índice. Na dúvida, compare a curva de agora com a de uma hora atrás.

Depois do fechamento

Compare a curva do dia com a de ontem e a da semana passada. Repare quais vencimentos mais andaram. Com algumas semanas você começa a reconhecer os padrões do seu próprio ativo em relação aos juros.

A HTS é uma plataforma de análise e operação. As leituras deste texto ajudam a entender o contexto do mercado e não são recomendação de investimento. Operar no mercado envolve risco.

Perguntas frequentes

O que é a curva de DI futuro?

É o conjunto das taxas dos contratos de DI futuro (DI1) negociados na B3, do vencimento mais curto ao mais longo. Mostra o que o mercado espera para os juros brasileiros ao longo dos próximos anos.

O que é steepening e flattening?

Steepening é quando a curva empina: a diferença entre os juros longos e os curtos aumenta. Flattening é quando ela achata: essa diferença diminui. Bull e bear indicam se o movimento veio com juros caindo ou subindo.

A curva de juros da HTS é em tempo real?

Sim. Os contratos DI1 da B3 chegam ao vivo e a curva, a Estrutura DI e os ativos de inclinação são recalculados durante o pregão.

Qual a diferença entre a Selic Implícita e o COPOM Pricing?

A Selic Implícita tira da curva de DI a Selic que o mercado espera depois de cada reunião do Copom. O COPOM Pricing mostra as probabilidades de cada decisão a partir das opções de Copom negociadas na B3. São duas leituras do mesmo assunto, por mercados diferentes.

Dá para colocar a inclinação da curva no gráfico?

Sim. O nível da curva, a inclinação, as diferenças entre prazos, a curvatura e os juros de prazo fixo funcionam como ativos: dá para abrir no gráfico e colocar na lista de ativos.